contém ácido fosfórico
na sua composição (um dos responsáveis
pelo sabor característico). Vinhos e
frutas cítricas são outra fonte
de ácidos na formação de
erosões.
O
tratamento no caso de abrasões e erosões
consiste na conscientização do
paciente de sua etiologia (utilização
correta da escova, redução de
alimentos e bebidas ácidas...) uso de
dentifrícios fluorados e não abrasivos
e bochechos diários com solução
de fluoreto de Na à 0,05% e restaurações
da lesão se necessário.
Já
a abfração é uma lesão
resultante de microfraturas do esmalte, provocados
pela flexão do dente, em função
de forças oclusais mal dirigidas. A fratura
do esmalte se dá na região cervical
por ser o local onde o momento flector é
máximo, por ser região do dente
com menor diâmetro, o que gera concentração
de tensões, e ainda por ser a região
de menor espessura do esmalte. Estas lesões
se apresentam em forma de cunha, geralmente
profundas e com margem bem definidas. A maior
incidência está nos dentes inferiores
e pode estar relacionada ao menor diâmetro
coronário em cervical, quando comparado
aos superiores. É possível, quando
em um dente com abfração que apresenta
perda óssea por doença periodontal,
que o fulcro dentário se desloque apicalmente,
A forma mais simples e eficiente de evitarmos
o aparecimento de abfração em
pré-molares e molares é montarmos
ou criarmos uma eficiente desoclusão
em caninos. A restauração só
deve ser feita após a remoção
do fator desencadeante da lesão.
As
modernas resinas compostas (de micropartículas
ou híbridas), associadas ao condicionamento
ácido total e adesivos hidrofílicos
são uma ótima opção
para a restauração das lesões
cervicais. Também podem ser usados os
ionômeros e os compômeros.
MECANISMOS DE
HIPERSENSIBILIDADE DENTINÁRIA
A
sensibilidade pode ocorrer quando temos túbulos
dentinários abertos e expostos ao meio
bucal (na presença de um dos tipos de
lesões cervicais descritos), e quando
um estímulo provoca a movimentação
do líquido existente nos túbulos
dentinários o que exerce uma pressão
sobre as terminações nervosas
do plexo subodontoblástico (teoria da
Hidrodinâmica – Garberoglio e Brännström).
A
movimentação do líquido
existente no túbulo dentinário
pode se dar por:
-
Aplicação de um jato de ar, ou
mesmo pela respiração bucal, pois
provocaria a evaporação do líquido
com conseqüente movimentação.
-
Presença de substâncias doces,
que por serem hipertônicas, exercem uma
pressão osmótica na dentina, movimentando
assim o líquido dos túbulos em
direção à substância
doce.
-
Passando a ponta do explorados na lesão
cervical, que provocaria a movimentação
de fluido, provavelmente por um mecanismo de
vibração.
-
Variação de temperatura, o que
provocaria a contração em caso
de frio, ou a expansão em caso de calor,
do líquido existente no túbulo,
com sua conseqüente movimentação.
DIAGNÓSTICO
DIFERENCIAL
Uma
correta anamnese associada a um exame clínico
e radiográfico cuidadoso permitem diferenciar
a hipersensibilidade dentinária das outras
patologias que acometem os dentes.
O
teste com estímulo táctil empregando
um explorador é simples e preciso ao
diagnóstico da hipersensibilidade dentinária
em que a dor é provocada, localizada,
aguda e de curta duração e desaparece
com a remoção do estímulo.
A variação do grau de dor pode
ser de nula a intensa, dependendo do período
considerado.
OUTRAS
SITUAÇÕES QUE PODEM APRESENTAR
SENSIBILIDADE
-
dente fraturado com dentina exposta;
- restaurações
antigas com infiltração marginal
(fratura marginal da restauração
ou do dente)
- restaurações
recém feitas (falha da técnica
ou contrações do material restaurador
em que permanece uma fenda entre a restauração
e o dente).
TRATAMENTO
A
sensibilidade dentinária pode apresentar
cura espontânea, por remineralização
pela saliva ou por formação de
dentina reacional. Caso isso não ocorra,
o tratamento lógico, consiste na obliteração
dos túbulos dentinários, pelo
emprego de substâncias que reajam com
o Ca++ ou o PO4 – existente no líquido
dos túbulos, e formem precipitações
insolúveis que obliteram o túbulo.
Algumas formas que se apresentam são:
a utilização de sais de flúor
que também pode ser usado na forma de
vernizes (ex. : Duraphat), cloreto de estrôncio
(ex.: dentifrício Sensodyne), oxalato
de potássio (ex.: Oxa-Gel) e até
adesivos dentinários. No entanto na presença
de uma hipersensibilidade, estes tratamentos
não funcionam, pois existe um componente
extra, que é uma maior pressão
intrapulpar, provocada por algum tipo de sobrecarga
oclusal. Essa pressão maior faz com que
o líquido se movimente em maior velocidade
e assim dificulta a deposição
de sais que deveriam obliterar os túbulos.
O tratamento indicado então, é
a eliminação das interferências
oclusais, por um ajuste e/ou a criação
de guias caninas inexistentes.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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na Clínica Odontológica: A prática
da clínica geral. Artes Médicas,
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