No
ciclo natural evolutivo do bebê de 0 a
6 meses deverá respirar bem, sugar e
deglutir. A sucção é um
impulso presente desde o nascimento, e servirá
de treinamento para o segundo reflexo da alimentação:
a mastigação. A sucção
não visa somente a nutrição,
mas também, a satisfação
psicoemocional, de forma que cada bebê
apresenta a sua necessidade individual de sucção
que pode não ser satisfeita apenas com
o aleitamento natural. Dessa forma, quando isso
ocorre, a chupeta deverá ser usada racionalmente.
Não deve ser oferecida, a qualquer sinal
de desconforto, para acalmar o choro provocado
por outros fatores, nem entendida como um artefato
para apoio emocional, ou uma forma de lazer
para a criança: não se recomenda
que o bebê durma todo o tempo com a chupeta,
devido a necessidade de manter a boca fechada,
enquanto dorme, para criar uma memória
muscular do contato entre os lábios e
favorecer a correta respiração
pelo nariz.
Mesmo
entendendo a chupeta como um aparelho de sucção,
que também poderá prevenir a sucção
de dedo, é melhor que apresente as características
mais anatômicas e funcionais possíveis
para não provocar danos maiores na eventualidade
de se formar um hábito. A chupeta deve
ter o bico compatível com o tamanho da
boca e com a idade do bebê. Além
disso, é importante que a direção
do longo eixo do bico esteja em uma posição
inclinada para cima em relação
ao apoio labial. Para os recém-nascidos,
pode ser de látex ou de silicone e, para
os bebês de baixo peso ou prematuros o
tamanho do bico deve ser adequado, para não
provocar um posicionamento incorreto com uma
posteriorização da língua.
O disco ou apoio labial deve ser de plástico
firme e maior do que a boca do bebê para
prevenir que a chupeta seja colocada inteira
dentro da boca e para proporcionar uma vedação
para que o bebê não coloque os
lábios em cima do apoio. Deve ser recortado
como um grão de feijão, para evitar
uma conseqüente deformação
na região anterior da arcada dentária
e na base do nariz. Deve apresentar no mínimo
dois furos de ventilação opostos
com diâmetro de 5 mm e a distância
do bico de 5 a 6 mm para favorecer a circulação
de ar no rosto do bebê e prevenir irritações
na pele causadas pelo acúmulo de saliva.
Não precisa, obrigatoriamente, ter argola,
podendo possuir apenas uma saliência para
que a mãe possa puxar para estimular
os exercícios de sucção
ou para retirá-la da boca do bebê.
Jamais deve ser amarrada ou pendurada ao redor
do pescoço do bebê com fita, corrente
ou fralda, pois além de haver risco de
estrangulamento, pendurá-la e deixá-la
acessível favorecerá a instalação
do hábito.
Quando
o bebê chora, por falta de sucção
ou por necessidade de sugar mais, mesmo estando
alimentado, a mãe deverá estimular
a sucção colocando a chupeta lentamente
em contato com o contorno dos lábios
do bebê e com toques leves, para que o
bico seja umedecido e haja estímulo para
o reflexo. O bebê, então, começará
a sugar e a mão deverá segurar
a chupeta e puxá-la com movimentos leves,
como se fosse par retirá-la da boca,
estimulando a sucção. Ao realizar
esses exercícios várias vezes,
a musculatura facial já deverá
ter trabalhado o suficiente e a função
de sucção deverá ter sido
concluída. O bebê não desejará
mais a chupeta e o hábito não
se instalará. Adicionalmente, vale ressaltar
que a chupeta nunca deve ser mergulhada em substâncias
doces, para evitar e instalação
de doença cárie.
Para
a segurança do bebê, o bico e o
disco de plástico devem ser inspecionados
freqüentemente para detecção
de qualquer sinal de deterioração.
Se o bico estiver inchado, rasgado ou pegajoso,
a chupeta de ser trocada. Depois de cada uso,
a mão deve verificar se o bico está
bem preso ao disco de plástico para evitar
acidentes.
É
fundamental que os profissionais transmitam
às mães a informação
de que a chupeta deve ser utilizada exclusivamente
como aparelho para complementar a sucção
na fase em que o bebê necessita desse
exercício funcional que é um estímulo
benéfico ao crescimento e desenvolvimento
dos arcos dentários. Por isso, é
muito importante que as mães realmente
a utilizem unicamente para satisfazer a sucção,
obtendo com isso, apenas os seus efeitos desejáveis.
Sendo assim, após o término da
fase de sucção, a criança
estará apta para as fases subseqüentes
de crescimento e desenvolvimento, i.e., sorver
e mastigar, de forma que obtenha posteriormente
o equilíbrio neuromuscular e dentofacial
desejado pelo profissional que o monitora.
fonte:
Jornal da APCD, Janeiro de 1998.
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