Um dos líderes do estudo, David Wong, da Faculdade de Odontologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), acredita que será possível chegar aos 99% ou 100% de eficiência em breve, com o aprimoramento do exame - possivelmente pela inclusão de RNA mensageiros adicionais e relacionados ao câncer.
O câncer de boca inclui os cânceres de lábio e de cavidade oral - mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua oral e assoalho da boca. Segundo dados de 2003 do Instituto Nacional do Câncer (Inca), trata-se do sétimo mais freqüente e o nono em mortalidade para ambos os sexos no Brasil. Os fatores que podem levar ao câncer de boca são fumo, álcool, má higiene bucal e uso de próteses dentárias mal ajustadas.
Wong lembra que não há, atualmente, testes bioquímicos ou genéticos disponíveis comercialmente para o diagnóstico do câncer de boca. O cientista também ressalta que os padrões de RNA na saliva podem informar outros tipos de câncer, além de doenças comuns.
"A saliva é o espelho do nosso sangue", diz Wong. "Por isso, estamos conduzindo novos estudos, usando-a como um possível fluido de diagnóstico para outras doenças e outros tipos de câncer." Segundo ele, os primeiros resultados das novas pesquisas deverão estar prontos até maio de 2005.
O pesquisador conta que ele e seus colegas na UCLA não pretendiam estudar os padrões de RNAm na saliva, uma vez que o trabalho que faziam estava centralizado na mucosa. O foco da pesquisa mudou depois que uma das integrantes do grupo, a médica Maie St. John, ponderou: "Se proteínas associadas ao câncer de boca estão presentes na mucosa bucal, não poderiam também passar do tecido para a saliva?"
Os cientistas foram atrás da resposta. Extraíram o RNAm de pacientes com tumores e verificaram que 1.679 genes eram expressos de modo diferente do que em indivíduos saudáveis. Depois de refinarem a análise, descobriram que a presença de quatro dessas moléculas aumentava grandemente a probabilidade de que a saliva pertencesse a um paciente com câncer. Os quatro RNAm são dos seguintes genes: interleukina 1-beta (IL1B), ornitina decarboxilase antizima 1 (OAZ1), espermidina/espermina N1-acetil transferase (SAT) e interleukina 8 (IL-8).
Os resultados animadores servem para destacar que, segundo Wong, a saliva tem um grande valor clínico para diagnóstico. "Muitos têm encarado a saliva como algo muito difícil de trabalhar no laboratório, em parte porque a informação molecular nela contida é altamente degradável. Mas a verdade é que há maneiras consistentes de manter as moléculas estáveis. Em nosso estudo, por exemplo, conseguimos barrar por completo a degradação do RNAm na saliva", conta.
fonte: Agência FAPESP, Dezembro de 2004. |
|