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Notícia 01/08/05

PROFESSORES DA USP DESENVOLVEM FIBRAS QUE AUMENTAM RESISTÊNCIA DE PRÓTESES DENTÁRIAS

A perda de dentes é algo muito comum, principalmente na classe baixa, pois o acesso a tratamentos dentários normalmente fica restrito aos que têm dinheiro. E quem se vê em uma situação dessas precisa repor o dente perdido, seja por questão de estética, seja por questão de funcionalidade. Hoje em dia, essa reposição é feita com diferentes materiais e distintas maneiras. Uma das técnicas mais usadas é o implante (peça que simula a raiz dos dentes e onde é fixada uma prótese), mas também são populares as próteses fixas (que ficam presas em dentes vizinhos ao dente perdido). Essas próteses são confeccionadas de metal e recobertas de um material – porcelana ou resina – de cor próxima à cor natural do dente.

As próteses fixas costumam apresentar problemas, principalmente os relacionados à estética. Isso porque o metal, mesmo recoberto com outro material, ainda pode ficar um pouco visível, o que denuncia a prótese. Assim, estão sendo pesquisados novos materiais, com a cor próxima à natural do dente, que substituam o metal. Um deles é a cerâmica. Atualmente, ela já é usada pura para repor o dente perdido, mas, apesar de preencher os requisitos estéticos, esse material tem uma limitação quando se trata de resistência mecânica (eles quebram com mais freqüência).

Fibras cerâmicas composta


Simulação da
aplicação da prótese
com fibras cerâmicas

O professor da Faculdade de Odontologia da USP, Igor Studart Medeiros, propôs uma tese de doutorado que explora justamente a área de novos materiais mais resistente. Mais especificamente, ele pesquisa as fibras cerâmicas com aplicação na Odontologia. “A partir do contexto atual, surgiu a motivação em se desenvolver materiais que tanto reproduzam uma cor próxima dos dentes quanto que tenham resistência mecânica. Então foi desse problema que surgiu a idéia do trabalho de desenvolver isso”, afirma Igor.

A grande diferença da confecção dessas fibras é que é usado o laser como fonte de calor, ao invés de fornos. Com isso, consegue-se controlar o mecanismo da fundição e do resfriamento da peça. “Assim eu tenho o controle da propriedade final das fibras. Então posso ajustar o meu equipamento pra produzir fibras com determinada propriedade”, explica o docente. O nome do processo que utiliza o laser como fonte de calor é Laser Heated Pedestal Growth (LHPG). Segundo Igor, “no Brasil, o único grupo que tem essa tecnologia disponível é o grupo de Crescimento de Cristais e Materiais Cerâmicos, que é do Instituto de Física da USP São Carlos e que tem como chefe o professor Antonio Carlos Hernandes, meu orientador”.

Os estudos dos docentes foram voltados para duas vertentes. Uma delas foi a pesquisa da compatibilidade dos materiais odontológicos com as fibras. Igor explica que essa pesquisa é importante porque “as fibras não são utilizadas como material puro. Elas são utilizadas como reforço dos materiais de cerâmica existentes no mercado pra fazer prótese fixa porque existe uma limitação imposta pela técnica de obtenção dessas fibras. Eu só consigo obtê-las em formato de bastão, então eu não consigo produzir um material sob medida. Por isso é preciso utilizar outro material que você consiga moldar”.

A outra vertente foi o aperfeiçoamento da técnica que foi desenvolvida em São Carlos, que culminou no aumento da resistência mecânica dos materiais. Segundo o professor, “na época as fibras tinham uma resistência de 800 MPa, hoje já ta na casa de 3000MPa”. Ao final da pesquisa, a USP patenteou a descoberta em seu nome, constando o professor Igor Studart Medeiros e o professor Antonio Carlos Hernandes como inventores. O registro foi feito no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).

Vantagens e uso

A vantagem dessas fibras é que elas já têm a cor próxima da cor natural dos dentes, além de ter uma resistência mecânica três vezes maior do que o material puro. Igor também afirma que, pelo constatado no laboratório, “existe a expectativa de vários outros usos na odontologia e a combinação dessas fibras com outros materiais que não as cerâmicas”. Outra vantagem é que ela tem um custo relativamente inferior aos materiais que estão no mercado, pois os sistemas cerâmicos usados hoje no Brasil são todos importados e, portanto, muito caros. Assim, o uso das peças de cerâmica poderão ser ampliados. Igor observa que, por terem um preço inferior, elas seriam muito importantes para a classe baixa, que teria meios de dispor delas.

Mas, antes de serem usadas comercialmente, essas peças deverão ser “testadas fora do laboratório, ou seja, ‘in vivo', com o objetivo de validar o comportamento das fibras em situações clínicas”, afirma o professor Igor Studart. Assim, o teste provavelmente será feito em clínicas da Faculdade de Odontologia. Há também uma expectativa de transferência da produção desse conhecimento para o mercado. Mas segundo Igor Studart, “a maior dificuldade é que a maioria das empresas que trabalham nesse setor é multinacional e não há interesse da parte delas”. Apesar disso, a descoberta está à disposição para comercialização.

Continuidade das pesquisas

O professor Igor ressalta que as pesquisas não pararão. Há a proposta para o pós-doutorado, já aprovada pela Fapesp, no qual ele pretender continuar nessa mesma linha de pesquisa. Os objetivos, a princípio, seriam o “aperfeiçoamento do modo de produção dessas fibras e a combinação com outros materiais odontológicos - pelo menos mais quatro ou cinco".

Em todo esse processo de pesquisa, o professor destaca a importância do curso de Ciência e Engenharia de Materiais (Interunidades IFSC-EESC-IQSC), que, ao obter uma linguagem comum entre as ciências aplicadas e de base, “tem produzido bastantes resultados positivos para a ciência do Brasil".

fonte: USP Online; Julho de 2005.
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